sábado, 25 de junho de 2011
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Sou do tipo de pessoa que não paciência para receber mais de 65445645646 telefonemas em um mesmo dia de uma mesma pessoa, visitas caseiras diárias, dar explicações (principalmente isso, odeio ter que me explicar), cenas de ciúmes desnecessárias e afins.
Acho que a verdade é que odeio casais apaixonados demais, aquela melação de "meu amor" pra cá, "meu xuxu" pra lá e essas outras coisas que me fazem querer ter uma metralhadora em mãos  fazem qualquer um ficar enjoado só de ouvir e ver.

Sou a favor de programas românticos estilo cinema a dois, jantar à luz de velas, flores e etc. Demonstrações sinceras de afeto que não precisam ser necessáriamente de 15 em 15 minutos ou um monte de "eu te amo"  lotando a minha Caixa de Entrada. Aquelas vezes em que ambos se sentem felizes por estarem partilhando de um momento juntos um do outro e não aqueles momentos em que ambos precisam permanecerem grudados um no outro senão acham que o mundo vai acabar ou que vão morrer por causa disso.

Sentir saudade é bom, faz ver a importância que uma pessoa tem na nossa vida, faz com que fiquemos a pensar nela e faz com que o casal fique mais unido. A "grudação" atrapalha porque depois de um tempo (diga-se curto) perde a graça, fazendo com que o casal se separe.

Eu sou uma chata-enjoada, eu sei, tenho plena consciência disso. Acho mais legal quando as coisas fluem naturalmente a dois com ambos descobrindo o que gostam ou não juntos do que ficar empurrando para o tapete os defeitos, mostrando somente as qualidades. Ditando regras. Abrindo mão das coisas que gostam apenas para agradar e se transformando no que não se é (e nunca será), porque um dia a máscara cai e aí já era.
sexta-feira, 24 de junho de 2011



    "O homem batia violentamente numa criança com um tamanco, o sangue escorria no lábio ferido do menino. Segurou o braço do imigrante, censurou-o:
  - Pare com isso. Que barbaridade...
    O homem o olhou com maus olhos mas logo que soube que ele era o medico mudou de modos, ficou humilde, largou da criança que nem saiu do lugar, choraminguenta e suja.
  - Seu doutor, nós semo pobre e tamo viajando pra São Paulo. Tamo sem comerque nóis não tem mais um tostão. Pois esse desgraçado ainda acha de ir roubar pão só pra me criar embaraço...
    E desfiou sua história, ali mesmo, nos degraus da porta. Naquele tempo Epaminondas ainda ouvia com paciência os relatos espantosos. Quando o homem terminou, deu conselho e fez uma pergunta.
  - Como é que você, depois de ter sofrido tanto, você e sua família, ainda tem coragem de bater na criança? Não tem pena?
    O homem levantou os olhos, falou com sua voz humilde:
  - O sofrimento não faz ninguém ficar bom, seu doutor... O sofrimento só piora a gente, só faz ficar ruim..."

AMADO, JORGE. Seara Vermelha. Edição 25. Livraria Martins Editora S.A, p. 152

p.s.: Esse é o Google me ensinando a fazer referência de página :P
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